Circuito motor estimula autoestima de estudantes

A ausência de uma quadra de esportes na Escola Municipal Arte e Cultura, em Manaus (AM), era uma barreira à atuação dos nossos professores de educação física. Sem poder contar com um local adequado, eles promoviam atividades em um corredor ao lado das salas, tomando cuidado para não atrapalhar o andamento das aulas. Devido a essa limitação, decidimos realizar um projeto de circuito motor, atividade que exige pouco espaço.

A escola se localiza no bairro Coroado 2, na zona leste da cidade, e atende estudantes do 1º ao 5º ano do ensino fundamental. A comunidade na qual está inserida é de baixa renda e o maior desafio da equipe gestora é combater a evasão e garantir que todos os alunos sejam alfabetizados. A gestora, Karen Dinelly de Oliveira, busca continuamente cursos de formação para o corpo docente e nos estimula a ir atrás de novos conhecimentos. A gestão é colaborativa e comprometida com valores democráticos.

O projeto de circuito motor foi realizado com uma das turmas do 5º ano, na qual havia um garoto de 10 anos com deficiência auditiva e com uma classe do 1º ano, que contava com uma criança de 6 anos com Síndrome de Down. Em um primeiro momento, realizamos uma palestra com o objetivo de esclarecer dúvidas sobre educação física inclusiva. A responsável pela atividade com os estudantes foi a professora Nise Sampaio Maia, que apresentou um vídeo sobre a importância de aprender em conjunto, independente das dificuldades ou diferenças.

Depois, discutimos os princípios da educação inclusiva com os demais docentes e essa conversa nos revelou que quando somos colocados frente às possibilidades da inclusão, revemos nossas atitudes e nos lembramos que todos somos diferentes. O projeto também foi apresentado aos pais, com o objetivo de fornecer informações para diminuir o preconceito e aumentar a participação das famílias.

 

O circuito motor

Na aula prática, os alunos foram divididos em duas equipes e organizados em fila. Montamos o circuito motor com quatro estações e explicamos quais movimentos seriam executados em cada uma delas. A sequência foi a seguinte:

• Zig-zague: ao iniciar o circuito, o estudante sai da fila e realiza um zig-zague entre os cones enfileirados à sua frente;

• Rolamento ou salto: o aluno utiliza um colchonete para avançar até a próxima estação, rolando ou saltando, segundo sua escolha;

• Salto sobre bambolês: quatro bambolês são dispostos no chão em duas fileiras. As crianças pulam dentro de cada arco, usando um pé por vez.

• Retorno: o estudante corre até o fim do circuito e volta até a fila de sua equipe realizando, novamente, as atividades das três estações. O próximo da fila dá sequência à atividade, partindo da primeira estação.

Os dois alunos com deficiência, a princípio, estavam muito tímidos e envergonhados. Contudo, eles adquiriram confiança em si mesmos conforme percebiam que eram capazes de realizar as atividades. O apoio e incentivo dos colegas também foi muito importante. Na última etapa do projeto, fizemos uma roda de conversa em sala de aula para tratar das dificuldades sentidas durante a brincadeira.

Realizar as atividades do projeto de circuito motor foi um trabalho muito gratificante e prazeroso. Superamos os obstáculos e conseguimos desenvolver atividades lúdicas, instigantes e desafiadoras nas quais todos os estudantes puderam participar.

Projeto participante do Portas Abertas para a Inclusão 2015.

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