Quais são as melhores escolas para aluno com autismo em São Paulo?

Tenho um filho de 11 anos que há cinco anos frequenta uma escola dita inclusiva na zona sul de São Paulo. Meu filho é um autista savant, muito inteligente, porém tem dificuldades motoras (não escreve com lápis, só em teclado) e começou a ler há cerca de dois anos. Eu gostaria muito de muda-lo de escola. Essa simplesmente despreza as habilidades dele (que são muitas, é uma enciclopédia viva de música clássica), mas já fui em várias escolas ditas inclusivas e ele foi rejeitado. Eu pago R$ 4.200,00 de mensalidade atualmente (para meio período) mas não vejo resultados, estamos muito frustrados. O que eu queria era uma escola em que ele pudesse se desenvolver plenamente e que fosse valorizado naquilo que tem de melhor – sua habilidade musical e memória fantástica. Alguém poderia me indicar boas escolas para aluno com autismo em São Paulo, capital?

1 resposta

Por Raquel Paganelli Antun em 27/03/2017

Na verdade, não podemos responder essa pergunta objetivamente. Não por desconhecermos boas escolas, mas por acreditarmos que não há uma já “pronta”, ideal para o seu filho. A ideia de que escolas deveriam se preparar antes de receber certos estudantes é um mito. Até mesmo as melhor conceituadas ou reconhecidas como “inclusivas” nunca estarão prontas. Sempre haverá um aluno cuja chegada trará novos desafios e aprendizados.

Durante muito tempo, acreditava-se que era possível padronizar estratégias terapêuticas e pedagógicas para um mesmo quadro diagnóstico. Atualmente, nós educadores já sabemos por experiência que essa noção é no mínimo simplista. Ainda que tenham diagnósticos iguais, duas pessoas podem reagir de maneiras bem diferentes às mesmas intervenções. Neste artigo, a especialista Maria Teresa E. Mantoan mostra que “todos são sujeitos únicos, singulares, heterogêneos”. Portanto, o processo de aprendizagem de cada um também é singular. Não há “receitas prontas”. E isso não se aplica somente a pessoas com autismo, já que a diferença é própria da condição humana. Este artigo trata exatamente disso.

Uma escola em que seu filho possa se desenvolver não é somente um desejo seu, mas um direito garantido na Constituição Federal. A Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência tem status de norma constitucional no Brasil e destaca o direito a um sistema educacional inclusivo em todos níveis. Direito que não se restringe à matrícula e à presença, mas também à plena participação em igualdade de condições. Assim, qualquer escola pública ou privada que não oferece um ambiente e a estrutura necessários para a plena participação de qualquer estudante está violando um direito humano.

Uma escola em que seu filho seja valorizado naquilo que tem de melhor, também não é somente uma expectativa sua. É um dos pressupostos da educação inclusiva. Uma pedagogia que se orienta pela singularidade do sujeito não deve considerar somente suas dificuldades ou necessidades. Pelo contrário. Há mais de 100 anos, o psicólogo bielo-russo Vygotsky, cuja obra é referência na busca por intervenções pedagógicas inclusivas, propunha aos professores focar nas potencialidades dos alunos em detrimento de supostos “déficits” ou limitações. Este artigo fomenta a reflexão sobre as “múltiplas inteligências” em sala de aula. Neste outro, o autor ressalta a importância de o professor ter “altas expectativas” em relação à aprendizagem e ao desenvolvimento de qualquer aluno. Posicionamento este defendido por Rodrigo Mendes ao afirmar que “uma inclusão verdadeira persegue altas expectativas em cada aluno, considerando suas habilidades e talentos”. Ou seja, fazer educação na perspectiva inclusiva implica identificar, valorizar e desenvolver o que cada um dos alunos tem de melhor.

Esta questão remete a uma pergunta importante: vocês já procuraram algum serviço de atendimento educacional especializado (AEE)? O AEE é um serviço garantido aos alunos com deficiência, transtorno do espectro autista (TEA) e altas habilidades/superdotação pela Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva. Seu objetivo é identificar, elaborar e organizar recursos pedagógicos e de acessibilidade para a eliminar as barreiras para a plena participação dos alunos, considerando suas características individuais. Se a escola de seu filho não oferece esse serviço, sugerimos que você procure a secretaria de educação de seu município. Há no DIVERSA vários estudos de caso e relatos de experiência que, como estes abaixo, atestam o importante papel exercido pelo AEE no processo de inclusão educacional de alunos com TEA:

• Formação de professores do AEE estimula soluções criativas para a inclusão
• Ressignificar saberes para valorizar eficiências no processo de alfabetização
• Com apoio do AEE, professoras flexibilizam atividades para estudante autista

A “melhor escola” para o seu filho é, a princípio, a mais próxima de sua residência. Ou, no caso da rede privada, aquela que você escolheu. E ela só poderá se tornar, de fato, “a melhor” para ele e para todos os demais se a aprendizagem for perseguida de forma ampla, colaborativa e para muito além do diagnóstico. É fundamental que todos os agentes (profissionais docentes e não docentes) diretamente envolvidos com seu filho, a família e ele mesmo participem, em um ambiente caracterizado pela diferença, onde todos têm a ensinar e aprender.

Conte-nos mais sobre isso e continue participando da comunidade. Você e seu filho são muito bem-vindos aqui. 🙂

Raquel Paganelli Antun – Equipe DIVERSA

100% Acham isso útil Esta resposta te ajudou?
Conhece alguém que pode responder? Compartilhe um link para a pergunta.
Comente ou compartilhe nas mídias sociais: