Quais mudanças são necessárias para tornar a escola acessível?

Tenho um filho especial de 4 anos e sou gestora de uma escola pública de educação infantil em minha cidade (Sorriso/MT). Cada vez mais recebemos crianças especiais e necessitamos de apoio maior na aprendizagem e até na estrutura física do prédio. Neste ano, temos um aluno cadeirante, um autista e uma aluna surda e muda. Nosso projeto político-pedagógico (PPP) foi aprovado com a ressalva de fazer a instituição um lugar de acessibilidade, mas não sabemos quais mudanças físicas e adequações devem ser feitas para fazer uma escola acessível. Como proceder?

Acessibilidade

2 respostas

Por Raquel Paganelli Antun em 28/02/2018

Que grande oportunidade você tem, de “fazer a diferença”, como gestora de uma escola pública de educação infantil! Principalmente considerando que é mãe de uma criança nesta faixa etária e certamente compreende a importância dessa fase no desenvolvimento integral de qualquer estudante, com ou sem deficiência. Conhecemos algumas diretoras que aceitaram o desafio de tornar “suas” escolas acessíveis e, em parceria com suas equipes de trabalho, alunos e familiares, impactaram positivamente comunidades inteiras.

Antes de qualquer coisa, é oportuno ponderarmos sobre o que significa tornar uma escola acessível. Trata-se de um processo muito mais amplo e complexo do que uma série de adequações e mudanças pontuais. É preciso transformar a escola, desafiando a cultura da homogeneização e da meritocracia que resulta em exclusão a partir do reconhecimento do direito de todos à educação. Há uma sessão no DIVERSA – Como transformar a escola e as redes de ensino? – cujo objetivo é justamente subsidiar esse processo. Sugerimos que leia e explore os conceitos e as referências associadas a cada um deles. Mas há uma dica fundamental que vale à pena destacarmos aqui: para que tal mudança, tão radical, seja possível, é preciso envolver “todo mundo”: seus parceiros na gestão da escola, a equipe como um todo (docentes e não docentes), os estudantes, os familiares, voluntários, parceiros, enfim, todo mundo mesmo!

Mas, como fazer isso na prática?

O artigo “O papel do diretor na valorização das diferenças e inclusão de todos“, cuja autora compõe o trio gestor de uma escola pública em São Paulo, aponta algumas possibilidades. Dentre elas, em muitos contextos, a formação continuada tem se destacado como uma estratégia importante neste sentido. Sugerimos que você, como gestora da escola, invista no estabelecimento de espaços de diálogo que, independentemente do formato, viabilizem a participação ativa de todos os envolvidos. Estas duas outras perguntas do fórum sobre estratégias de formação continuada indicam possíveis caminhos.

Como sensibilizar professores e estudantes para a inclusão?

Onde encontrar apoio para formação de professores em educação inclusiva?

Além destas, selecionamos outras referências que podem servir como ponto de partida para a discussão coletiva sobre como “fazer a instituição um lugar de acessibilidade”:

– Este link direciona a uma série de textos com dúvidas, dicas e exemplos práticos sobre a educação infantil na perspectiva inclusiva.

– A sessão Educação inclusiva traz respostas objetivas a mais de 40 perguntas sobre conceitos fundamentais e possíveis encaminhamentos, englobando três eixos: “o que é”, “por onde começar” e “como transformar”. Vale à pena explora-la integralmente. Mas destacamos dois links, abaixo, considerando sua pergunta sobre medidas concretas de acessibilidade a serem tomadas:
Serviços de apoio 1
– Serviços de apoio 2

É preciso, no entanto, considerar os outros contextos relacionados à acessibilidade na escola, por isso destacamos também outro link que direciona aos aspectos pedagógicos. Além da sessão Materiais acessíveis, que apresenta sugestões de recursos alternativos que podem ser construídos e adequados de acordo com o contexto da escola.

Quanto à sua pergunta sobre “mudanças e adequações físicas”, sugerimos que se informe junto à secretaria de educação sobre o Programa Escola Acessível e também explore as leis e normativas concernentes além deste guia publicado pelo MEC em 2009.

Esperamos que essas e outras referências possam influenciar e subsidiar suas decisões e servir como referência, fomentando discussões relevantes para a promoção do trabalho colaborativo na busca pela transformação da escola numa perspectiva inclusiva.

Conte-nos mais sobre isso e continue participando da comunidade. Vocês e toda a sua equipe são muito bem-vindos aqui. 🙂

Esta resposta te ajudou?
Conhece alguém que pode responder? Compartilhe um link para a pergunta.
Comente ou compartilhe nas mídias sociais: