Quais atividades realizar com aluna com Síndrome de Down na educação infantil?

Trabalho em escola particular e estou há um mês com uma aluna com Síndrome de Down na educação infantil, de quatro anos. Tenho trabalhado com atividades lúdicas com cores, letras e números. A aluna se comunica através de gestos, pois ainda não fala, é muito calma e independente, sempre procura fazer as coisas sozinha. Sua relação com a turma tem melhorado a cada dia. Ela é muito querida e está muito à vontade com seus amigos e professores. Gostaria de receber dicas de atividades para realizar com a pequena.

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2 respostas

Por Raquel Paganelli Antun em 28/04/2017

Olá professora!

Sua atitude ao descrever a aluna, destacando suas potencialidades, já é um indicativo importante e positivo. O “olhar” do professor em relação ao aluno pode ser determinante no processo de educação inclusiva. Nesse sentido, saber e entender que somos todos diferentes e reconhecer as diferentes características como valor e não como problemas a serem sanados é essencial.

Sabemos que durante muito tempo, acreditava-se que era possível generalizar pessoas e, assim, padronizar estratégias terapêuticas e pedagógicas a partir de um mesmo quadro diagnóstico. Atualmente, nós, educadores, já sabemos (por experiência) que esta noção é no mínimo simplista. Ainda que apresentem pareceres diagnósticos absolutamente iguais, duas pessoas podem reagir às mesmas estratégias de maneiras (bem) diferentes. Não há, portanto, “receitas prontas” ou manuais de atividades ideais, específicas, indicando como ou o que trabalhar com um aluno com este ou aquele diagnóstico. E isso não se aplica somente a pessoas com alguma deficiência. Posto que a diferença é própria da condição humana, o processo de aprendizagem de cada estudante é singular – como vemos neste relato de experiência acerca do processo de inclusão educacional de uma menina com Síndrome de Down.

Com base nesse pressuposto, a especialista em educação inclusiva Regina Viana Pannuti propõe algumas etapas prévias à elaboração do planejamento pedagógico, a fim de torná-lo inclusivo. São elas:

1. Acolhimento – Partindo do pressuposto de que só nos deixamos conhecer quando estamos confortáveis, “à vontade”, Regina sugere que o professor busque, antes de qualquer coisa, acolher, ou seja, promover o bem-estar dos alunos. [Pelo que você escreveu, acredito que esta etapa não só já aconteceu como foi bem sucedida. :)]

2. Caracterização individual – Considerando que cada criança é diferente, Regina sugere que o professor invista tempo e esforços no sentido de conhecê-las individualmente. Para isso, vale tudo! Observá-las interagindo espontaneamente com os colegas no intervalo, promover atividades exploratórias com esse objetivo em sala de aula, conversar com os pais, etc.

3. Caracterização do grupo – Trata-se de reunir todas as informações acerca de cada uma das crianças a fim de caracterizar o grupo como um todo. Para, só então, elaborar um planejamento pedagógico único, para todos, com estratégias diversificadas, pautadas nos interesses, nas potencialidades, nas necessidades, enfim, nas especificidades de cada um.

Este artigo menciona uma abordagem parecida, proposta por Jenny Corbett, referência internacional em educação inclusiva. A assim chamada “pedagogia conectiva” recomenda que “em primeiro lugar, cada aluno deve ser conhecido, reconhecido e valorizado individualmente para que o que traz consigo e o modo como aprende possa ser incorporado ao currículo e à comunidade”.

Em resposta a esta outra pergunta da Comunidade DIVERSA, a assessora em educação inclusiva Marília Costa Dias dá uma dica importante: “Não se trata de dar uma aula para os alunos e outra para o aluno com deficiência intelectual. O desafio é pensar aulas potencialmente boas para todos os alunos, diversificando as formas de acessar e expressar o conhecimento, assim as formas de engajar os alunos nas propostas.”

Na mesma resposta, Marília também evidencia a importância de oferecer apoios específicos para os alunos que precisam a fim de “garantir igualdade de oportunidades.” Mas como saber se sua aluna precisa de algum apoio e quais as possibilidades nesse sentido? Além buscar conhecê-la bem, é fundamental trocar ideias com a família e outros educadores. Professores criativos ou que já tenham experiência com inclusão de crianças com deficiência no contexto da educação infantil podem ser bons parceiros. Outra estratégia pode ser estabelecer parcerias com unidades escolares que ofereçam o atendimento educacional especializado (AEE). Certamente há escolas públicas em sua cidade que oferecem esse serviço (é possível saber quais através da Secretaria de Educação local).

O importante é que você não assuma sozinha a responsabilidade pelo processo de inclusão de sua aluna. A educação inclusiva implica na participação de todos os envolvidos – a gestão da escola, a equipe de professores, os profissionais não docentes, a família, enfim, “todo mundo”! 😉

No DIVERSA há vários artigos, estudos de caso e relatos de experiência que podem subsidiar discussões relevantes e fomentar o trabalho colaborativo na construção de uma escola inclusiva e na busca por estratégias que potencializem o processo de inclusão educacional dessa e de outros alunos. Considerando sua pergunta, destacamos estes dois artigos – Efeitos da educação infantil inclusiva e Marcos legais da educação infantil inclusiva – sobre a importância da educação infantil inclusiva e esta lista de referências específicas sobre a inclusão de pessoas com Síndrome de Down: Síndrome de Down na escola – dicas e práticas de inclusão.

Esperamos que possam ajudá-la. Conte-nos sobre isso e continue participando da comunidade. Você é muito bem-vinda aqui. 🙂

Raquel Paganelli – Equipe DIVERSA

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Por Equipe DIVERSA em 30/03/2017

Olá! Seja bem-vindo à nossa comunidade! Nós da equipe do DIVERSA agradecemos pela confiança em dividir suas dúvidas. Acreditamos que encaminhamentos para desafios como o que você expôs possam ser construídos coletivamente. Para isso, dividiremos sua questão com outros membros de nossa comunidade e pesquisaremos em nosso acervo de conteúdos referências que possam te inspirar na busca por possibilidades inclusivas. Enquanto isso, te convidamos a explorar e comentar os estudos de caso, os relatos de experiência e os artigos de nossa biblioteca. Continue nos contando suas descobertas sobre o tema da educação para todos. Sinta-se à vontade para trocar experiências!

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