Quais atividades realizar com uma criança com autismo com dificuldade de atenção?

Temos um aluno com transtorno do espectro autista (TEA) há três anos na escola. Durante esses três anos, por conta de seu perfil hiperativo e desafiador, não conseguimos encontrar estratégias que o façam permanecer em sala de aula. Não sabemos em que fase da alfabetização ele se encontra. Usamos agenda com figuras, temos tentado comunicação facilitada, mas ele resiste a qualquer estratégia que possa permitir a realização de atividades em sala. Por conta de seu comportamento disruptivo, as professoras de sala regular tendem a preferir que ele fique fora de sala. Até na sala de recursos não conseguimos mais de 30 minutos de atenção. Ele está em um 3° ano e tem 9 anos. As atividades com referencial Teacch são as que mais prendem sua atenção. Ele identifica seu nome e consegue montá-lo com letras coladas com velcro, faz sequências de números, vogais, cores e figuras geométricas. Gostaria de sugestões de procedimentos e atividades que pudessem auxiliar de forma efetiva essa criança.

Estratégias pedagógicas

2 respostas

Por SIMONE ISIDORO em 09/03/2018

Olá Evanice! Tudo bem? Conforme relatado, percebo que na sala de recursos multifuncionais (SRM) esta criança realiza algumas atividades propostas que nos permitem identificar que o mesmo está em processo de alfabetização. O grande desafio está na sala de aula comum, certo? Acredito que o AEE Colaborativo seja fundamental para esta criança e para o professor do ensino comum, contribuindo para identificar e eliminar possíveis barreiras que impedem a participação plena desta criança nos tempos e espaços da escola.

Primeiramente, penso que, o professor do AEE junto com o professor do ensino comum deveriam elencar qual o principal objetivo (que seja apenas 1), neste momento, para esta criança. É a alfabetização? É o ficar mais tempo em sala de aula? É a conquista de alguma autonomia? É fazer com que ele se sinta pertencente aquele grupo/espaço/professora? Elencado o objetivo, ambos os professores (AEE e comum) observam a criança nos espaços da escola, principalmente sua sala de aula, elencando quais as possíveis barreiras postas que impendem sua participação. Elencadas tais barreiras, definam uma e planejem as estratégias para eliminação da mesma.

Tendo como base seu relato, onde a criança não fica na sala de aula comum, uma das possibilidades, é pensar em estratégias para que esta criança perceba que faz parte daquele universo (sala de aula), que também é aluno da professora, que pertence à sua turma e que a professora olhe para esta criança como SEU aluno. Uma sugestão é identificar uma potencialidade, e/ou de que forma interage com o meio (sentidos), e/ou um campo de interesse da criança e, repensar o planejamento da professora para que pelo menos uma atividade no dia envolva todas as crianças e seja voltada para a construção do sentimento de pertencimento ao grupo, contribuindo para que ele vá, progressivamente, permanecendo mais em sala de aula e tenha mais atenção no que é proposto. Exemplos:

– Se a criança tem um personagem preferido: música, contação de história, dramatização, mímica que envolva este personagem, sempre utilizando vozes, sonoplastias, suspense, máscaras, fantasias, dedoches, fantoches, expressões faciais “exageradas”, movimentos corporais, sombras, cores, odores, contato físico – tocar, estimular a criança a repetir algo, como uma palavra chave da história – entre outros.

– Se a criança é mais ativa, com interesse em brincadeiras físicas: atividades que envolvam o rolar, pular, correr, cair, balançar, circuitos, corda, bambolê, bolas de sabão, ser puxado sobre um colchonete, jogar objeto para cima e vê-los cair, entre outros. Essas atividades poderiam estar contextualizadas com uma canção, brincadeira de roda, um personagem, história.

É válido lembrar que essas ações deverão ser breves, podendo começar com 5 minutos e ir ampliando aos poucos e o professor definirá quais recursos utilizará conforme seu modo de aprender (visual, auditivo, cinestésico…). Pode acontecer que durante a história, por exemplo, a criança fique andando ou tentando sair da sala. Nesse momento, sempre a chame para ela vir ao grupo ou use de algum instrumento como alterar a voz, para chamar atenção. Os colegas da turma também são um grande aliado nessa mediação!

Em relação à alfabetização, também inclua o mundo letrado nessas atividades. Por exemplo, as crianças podem pular e falar o nome do amigo que deverá pular em seguida ou mostrar os nomes com pulos “mágicos”, ou mostrar uma letra/numeral para fantoche. Nunca esqueça que, independente da sua especificidade, são crianças e que o brincar e o lúdico são fundamentais para o processo de ensino-aprendizagem e, SEMPRE APOSTE nas crianças. Elas nos surpreendem!

Espero ter contribuído trazendo um pouco da minha experiência!

Abraços carinhosos,

Simone

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Por Maria de Lourdes de Moraes Pezzuol em 05/09/2017

Olá Evanice. Enquanto professores, precisamos ser pesquisadores, para elaborarmos novas concepções do que precisamos aprender mais, sobre os desafios de nossa prática diária. Precisamos unir, integrar grupos para melhorar e ampliar essas práticas. Criar grupos de estudos para análise de estudos de casos, pois a formação contextualizada, dialogada é a maior estratégia para sabermos intervir com competência nos casos em que encontramos muitas dificuldades. O senso comum, seguir modelos, usar receitas de propostas pedagógicas prontas de outros professores, tudo isso não funciona. Cada aluno, principalmente os com transtorno do espectro autista (TEA), apresenta um perfil. Na pedagogia tradicional, nos preocupamos em estimular o que a criança não faz, como as situações que você pontuou em seu relato. Precisamos utilizar metodologias para intervir no que a criança já apresenta, aquilo que ela já traz por si só, a partir de sua especificidade (individuo único). Precisamos entender que todos as crianças aprendem. Veja quanta potencialidade de aprendizagem você apontou desse aluno que você aborda. As atividades propostas, como você relata do TEACCH, têm por base uma proposta que investe nas características dos indivíduos com autismo, no identificar suas dificuldades e investir no desenvolvimento de atividades sequenciadas, seriadas e que não devem ser controladas. É um programa que está auxiliando, continue com essa proposta, respeite o tempo, as dificuldades e valorize a potencialidade desse aluno. Fortaleça um vínculo maior com a família, saiba que com angústia, imposição, medo de errar, tristeza não há aprendizagem. Toda proposta precisa ser construída com fundamentos de alegria e amor. Pense nisso, abraços.

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