Por onde começar a me especializar em educação inclusiva?

Estou no 3° período do curso de história e minha intenção é trabalhar com crianças especiais nos ensinos fundamental e médio. Estou em busca de um curso de Língua Brasileira de Sinais (Libras) e braille para interagir melhor e também de outros meios que possam me ajudar a trabalhar com eles. Quero me especializar ao máximo na educação inclusiva. Por onde começar? No RJ existem locais que ministram palestras?

3 respostas

Por Raquel Paganelli Antun em 15/05/2017

Olá Raquel!

Seja muitíssimo bem-vinda à comunidade DIVERSA 🙂

Ficamos felizes em receber sua pergunta. Há vários aspectos importantes nela que vale à pena explorarmos juntas. 😉

O primeiro diz respeito ao modo como nos referimos às pessoas com deficiência. A partir do reconhecimento de que, antes de ter deficiência, ela é, simplesmente, uma pessoa e sua condição sensorial, intelectual ou física é mais uma entre outras tantas características, o termo recomendado é pessoa com deficiência. Esta tem sido a terminologia usada mundialmente nos últimos anos, em todos os idiomas. O termo faz parte do texto da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, adotado pela ONU em 2006 e ratificado, no Brasil, com equivalência de emenda constitucional em 2008. Mas, e quanto ao termo “especiais”? A inclusão parte do princípio de que a diferença é própria da condição humana. E, sendo assim, somos todos diferentes e temos caraterísticas e necessidades próprias. Isso também se aplica ao contexto da sala de aula. Hoje sabemos que todos os alunos, não somente os com deficiência, precisam ser vistos por seus professores como únicos, singulares, “especiais”. Isso é pressuposto para que a prática pedagógica possa ser, de fato, inclusiva.

Durante muito tempo, acreditava-se que era possível generalizar pessoas e, assim, padronizar estratégias terapêuticas e pedagógicas a partir de um mesmo quadro diagnóstico. Atualmente, a partir da perspectiva inclusiva, sabemos que isso não é possível. Ainda que apresentem pareceres diagnósticos absolutamente iguais, duas pessoas podem reagir às mesmas intervenções de maneiras (bem) diferentes. Porque são diferentes entre si – ainda que tenham uma característica comum: a deficiência. Não há, portanto, “receitas prontas” ou métodos infalíveis de como trabalhar com qualquer aluno com um determinado diagnóstico. Por isso, precisamos tomar cuidado com cursos que adotam orientações padronizadas sobre como desenvolver práticas inclusivas por tipo de deficiência, desconsiderando as particularidades de cada contexto e o potencial criativo do educador. Este é um primeiro argumento que nos faz questionar o “especialismo” no contexto da docência na educação inclusiva. O segundo, igualmente importante, baseia-se no princípio de que a educação inclusiva é um processo que diz respeito a todos os alunos, não somente aos com deficiência ou autismo. Por isso, apesar de considerarmos válido, sim, o plano de aprender Língua Brasileira de Sinais (Libras) e braille, enfatizamos que é muito importante não parar por aí. Se você pretende exercer a docência nos ensinos fundamental e médio de maneira inclusiva, sugerimos que sua expectativa – e, portanto, o critério – na escolha de cursos e bibliografia seja sempre de buscar ser uma educadora cada vez melhor para todos, considerando diferenças de credo, raça, gênero, condição econômica, social, cultural, física, mental, intelectual, sensorial ou linguística. E saiba, de antemão, que você nunca estará pronta. Sempre haverá alunos cuja chegada representará novos desafios e agregará novos aprendizados a você, como educadora.

E esse processo não precisa – nem deve – ser solitário. Liliane Garcez, especialista em educação inclusiva, enfatiza a importância de “coletivizar (…) o fazer pedagógico no sentido de aproximar o discurso de que cada aluno é da escola e não só do professor às ações cotidianamente desenvolvidas, buscando meios de modos de trabalho colaborativo entre nós e dentro de nossas salas de aula”. Professores criativos ou que já tenham experiência com inclusão de crianças com deficiência no contexto dos ensinos fundamental e médio podem ser bons parceiros. Outra estratégia pode ser estabelecer parcerias com unidades escolares que ofereçam o atendimento educacional especializado (AEE). Certamente há escolas públicas em sua cidade que oferecem esse serviço (é possível saber quais através da Secretaria de Educação local).

Além das referências já embutidas no texto através de hiperlinks, há outros artigos, estudos de caso e relatos de experiência que podem subsidiar e fomentar reflexões importantes e, assim, ajudá-la a exercer a docência numa perspectiva inclusiva.

Conte-nos sobre isso e continue participando da comunidade. 🙂

Raquel Paganelli Antun – Equipe DIVERSA

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Por Equipe DIVERSA em 24/05/2017

Oi Raquel! Sugerimos que, além das referências já mencionadas, você leia estes dois artigos:

Mas afinal, não somos sempre diferença?
“Alunos de inclusão”: como garantir o direito de participar e aprender

E também as respostas a estas outra duas perguntas do fórum:

Como fazer adaptações curriculares para alunos com deficiência intelectual?
Como atrair a atenção de uma criança com comportamento agitado em sala de aula?

Beijos

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Por Elisabete dos Santos Bernardino Casagrande em 09/06/2017

Olá, boa noite. O primeiro passo é fazer uma especialização na área, já que você tem vontade de seguir nessa carreira, fazer língua de sinais (Libras) e o braille e um estágio em uma sala de AEE. Você se apaixonará, vai por mim e depois me diga.

Um abraço e sucesso.

Beth Bernardino

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