O que fazer quando a escola causa sofrimento a uma criança com deficiência?

Minha filha tem 12 anos, está no 6º ano do ensino fundamental e é portadora de síndrome alcoólico fetal, como síndrome principal, que cursa com deficiência mental leve e transtorno do espectro autista (TEA). Há anos luto por sua inclusão educacional. Desde a pré-escola ela apresenta dificuldades de aprendizagem e de socialização, não sendo aceita por seus colegas. Ela era bastante comunicativa, buscava fazer amizades, mas recebia rejeição. Isso foi a desmotivando gradualmente, chegando a desenvolver sintomas de fobia e sofrimento.

Ela aprende se for motivada e se receber as adaptações curriculares e a mediação necessária por conta de sua concentração deficitária. Ela também tem dificuldade motora para copiar, não conseguindo acompanhar o ritmo da turma. Ela tem diagnóstico da neurologista, no qual estão bem claras suas necessidades escolares. Porém, as escolas nas quais ela estudou até agora (já são seis diferentes) não reconhecem suas necessidades e não a atendem adequadamente. Assim, ela se sente excluída, exigida além de suas possibilidades, e se desmotiva com o tempo, até que próximo ao final do ano suas faltas vão aumentando, sua resistência fica muito forte. Inclusive, a psicóloga que a atende relata essa dificuldade.

Devido às suas faltas, organizei para ela em casa, um horário de estudo. Consigo a matéria com os colegas ou com as professoras, faço as adaptações, resumo, esquematizo de modo que ela responde muito bem, tem aprendizagem. No 5º ano, apesar das muitas faltas, ele obtinha altas notas nas provas. Nesse ano, continuo com esse mesmo sistema, ela ainda não está faltando muito até o momento. Tento me organizar para poder adaptar os conteúdos para ela, mas não consigo colaboração de alguns professores justamente na matéria em que ela tem maior dificuldade, a matemática. No momento, ela já está mostrando rejeição à escola, ansiedade. Quando isso acontece, ela começa a sofrer novamente com sua constipação. O intestino se retrai e ela vai muitas vezes ao banheiro. Isso lhe traz desconforto, embora estando medicada.

Sei que ela recebesse os conteúdos adaptados, respeitando suas diferenças como autista, recebesse mais estímulos e as flexibilizações e organizações de que necessita, ela se sentiria mais motivada e tranquila. Mas, infelizmente, sem os atendimentos adequados à sua aprendizagem, além do sentimento de isolamento por sua dificuldade de socialização, a escola para ela representa uma grande obstáculo e sofrimento.

Por isso, preciso de orientações de como proceder para que sua inclusão escolar se realize de forma adequada. Tenho conhecimento da legislação, da LDB e sua proposta de educação inclusiva, suas garantias às flexibilizações às necessidades do aluno especial. Além da nota técnica 24/2013, que estabelece a garantia dos direitos do aluno autista na inclusão escolar. Porém, com todo esse amparo legal, minha filha apresenta grande sofrimento por falta dos atendimentos de que necessita. A maioria das professoras apresenta-lhe os mesmos desafios da turma em geral. Minha filha está sendo exigida além de seus limites. Sente-se, cansada, desgastada diante dessas exigências. Por várias vezes, procurei as docentes e o setor de educação especial para tratar do assunto e buscar uma solução. A responsável pela inclusão, procura acompanhar, adaptar atividades pedagógicas, orientar as educadoras. O problema está nas professoras da classe. Algumas não seguem as orientações recebidas e continuam trabalhando da maneira tradicional, sem oferecer as adaptações curriculares. Ela volta para casa com a matéria incompleta, folhas em branco, ou apenas marcam as páginas dos livros para que ela copie no caderno os conteúdos, que são longos e difíceis para ela, e também difícil para ela copiar, devido à sua motricidade deficitária.

Assim, busco orientações e apoio para solucionar esse problema que está prejudicando muito a escolaridade da minha filha, além de sua estrutura psicológica. Muito já lutei por ela. Na maioria das vezes, encontrei apenas descaso e até intimidação. Mesmo assim, busco sempre apoio e solução, pois desejo apenas o cumprimento da legislação vigente.

Conto com a ajuda do grupo.

Agradecida.

2 respostas

Por maria de lourdes de moraes pezzuol em 10/05/2017

Olá, fico indignada diante dessa situação. Enquanto professora que também vivencio algumas situações parecidas com a que você enfrenta com sua filha dentro de algumas escolas. E deprimente, tenho alguns alunos que são rejeitados pelos meus pares que atuam em classe comum, são rotulados de indisciplinados e doentes.

Sua filha não tem professor de apoio especialista que a acompanha na classe regular? E o atendimento na sala de recurso? São requisitos que poderiam ajudá-la em um novo fazer pedagógico, por meio de estratégias de aprendizagem. Ações que precisam ser fortalecidas de forma integrada para que possam quebrar certos paradigmas dentro das escolas que ainda estão enraizadas com modelos de educação formal e formações docentes que impõem rituais pedagógicos preestabelecidos que negam a diversidade.

E se a escola que sua filha frequenta não tenha sala de recurso, ela poderá ser atendida em uma escola mais próxima. Atualmente tenho uma aluna que necessitava desse atendimento e consegui mediar para que ela fosse atendida em outra escola. Seu desempenho e atuação dentro da sala de aula mudou, até mesmo seu comportamento, pois tinha muita baixa autoestima.

Nesse sentido, identifico que para tanto ainda é necessário uma nova estrutura organizacional que possa preparar seus professores e todos os outros profissionais para que possam trabalhar com competências de forma integrada. Perante a legislação o sistema de ensino tem a responsabilidade e autonomia para se organizar conforme as necessidades apresentadas por seus alunos, não é o aluno que precisa se adaptar à escola, mas é a escola que precisa adaptar-se a ele. Faça valer os direitos de sua filha, sei que não é fácil, mas não é impossível. Além do mais, você é uma mãe presente e consciente e essa atitude é indispensável para o bom desenvolvimento de sua filha. Abraços

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Por Maria Ligia de Castro e Carrijo Monteiro em 29/08/2017

Olá! Percebi que a escola procura atender a sua filha, porém, há professores que não seguem as orientações da escola. A meu ver, a escola precisa ter ação concreta com seus professores, dar conhecimento a eles de que sua filha está amparada legalmente para que seja tratada conforme precisa.

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