Existe material pedagógico acessível para meu filho autista?

Olá! Sou mãe do Gustavo de 12 anos, estudante do 6º ano do fundamental, autista, não-falante e não-alfabetizado. Ele estuda em escola regular. Existe algum material pedagógico adaptado para sua condição?

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4 respostas

Por Carla Cristina Pereira Job em 07/11/2016

Olá mãe,

É um pouco complicado sugerir atividades pedagógicas, pois para que estas sejam desenvolvidas é necessário saber mais sobre o aluno e quais objetivos pretendemos alcançar, que conceitos pretendemos desenvolver, etc.

– Se a criança é “não-falante”, como ela se comunica?
– Usa prancha de comunicação? Se não usa, seria interessante introduzir gradativamente.
– O que ele gosta que pode ser explorado em alguma disciplina?

Imagino que no 6º ano ele tenha mais de um professor, é necessário que cada um deles tenha um planejamento específico para desenvolver atividades que explorem o conteúdo de forma que seu filho possa participar e absorver o que é passado. Para isso é preciso muito estudo e envolvimento por parte de todos da escola. Boa sorte!

Abraço,
Carla Job

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Por Raquel Paganelli Antun em 03/03/2017

Olá “mãe do Gustavo”! 🙂

Como a Carla (outra respondente) escreveu, não é possível indicar estratégias pedagógicas (o que inclui materiais) para um aluno sem antes conhece-lo (bem). Este relato de experiência fala exatamente disso. Da importância de “conhecer os alunos de forma individual, perceber como cada um deles aprende e valorizar suas singularidades” para planejar estratégias pedagógicas capazes de desenvolver suas potencialidades, buscando garantir a participação efetiva de todos, e de cada um, em igualdade de condições. Este outro, sobre o processo de inclusão educacional de um aluno com hipótese diagnóstica de transtorno do espectro autista (TEA) corrobora, ressaltando a importância de fazer isso de modo colaborativo, incorporando diferentes perspectivas. É fundamental que todos os agentes (profissionais docentes e não docentes) diretamente envolvidos com o Gustavo no dia a dia da escola e a família sejam envolvidos neste sentido.

Mas é importante lembrar que neste esforço investigativo não basta olhar para o aluno. É preciso ir além.

Há alguns anos, um novo conceito de deficiência passou a considerar, além dos aspectos clínicos representados por impedimentos na pessoa, fatores que são externos a ela: as barreiras presentes no ambiente (físico e social). Trata-se do modelo social de deficiência, difundido pela ONU através da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, cuja prerrogativa, no contexto da inclusão escolar, é a eliminação de quaisquer barreiras que impeçam a plena participação nos processos educacionais. Neste artigo, que analisa diferentes abordagens de diagnóstico do autismo, a autora questiona laudos resultantes de uma análise fragmentada e descontextualizada que desconsideram o meio em que ele vive. Segundo ela, “a constituição do sujeito se dá na relação com o outro”. Ou seja, na perspectiva inclusiva, aumentar a participação de um aluno nas atividades da escola, implica na identificação de barreiras, não somente físicas ou comunicacionais, mas também pedagógicas e atitudinais, visando sua superação.

Esta questão remete a uma pergunta importante: vocês já procuraram algum serviço de atendimento educacional especializado (AEE)? O AEE representa um parceiro potencialmente importante na busca por atividades e materiais pedagógicos mais específicos, considerando os interesses, habilidades e necessidades do Gustavo. Segundo a Política de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva, sua função é justamente esta: identificar, elaborar e organizar recursos pedagógicos e de acessibilidade para a eliminação das barreiras para a plena participação dos alunos, considerando suas necessidades específicas. O AEE é direito garantido aos alunos com deficiência, transtorno do espectro autista e altas habilidades/superdotação. Se a escola do Gustavo não oferece este serviço, sugerimos que você procure a respectiva secretaria de educação. O referido atendimento complementa e/ou suplementa o processo de escolarização dos alunos público-alvo da educação especial, com vistas à autonomia e independência na escola e fora dela, não devendo ser substitutivo. Realizado, portanto, idealmente, no período inverso ao da sala de aula frequentada pelo aluno, preferencialmente na mesma escola e em sala de recursos multifuncionais (SRM).

Há, no DIVERSA, vários estudos de caso e relatos de experiência que, como estes abaixo, atestam o importante papel exercido pelo AEE no processo de inclusão educacional de alunos com deficiência ou TEA:

• Com apoio do AEE, professoras flexibilizam atividades para estudante autista
• Formação de professores do AEE estimula soluções criativas para a inclusão
• O Caso da Escola Donícia Maria da Costa – Florianópolis, Santa Catarina, Brasil

Ao olharmos para as particularidades do Gustavo no contexto do planejamento pedagógico, é importante, também, considerar que existem diferenças entre autismo e dificuldade de aprendizagem e entre adaptações curriculares e flexibilização curricular:

– Autismo e dificuldade de aprendizagem não são a mesma coisa. De acordo com a Política de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva, estudantes com autismo configuram como público-alvo da educação especial, tendo direito, portanto, ao atendimento educacional especializado (AEE). Já estudantes com dificuldade de aprendizagem não configuram como público-alvo da educação especial e não tem, necessariamente, o direito de acessar este mesmo serviço. A não ser que o estudante, além de autismo ou deficiência, apresente, também, uma dificuldade de aprendizagem. Para explicitar a diferença, é válido mencionar alguns tipos de dificuldade de aprendizagem presentes em salas de aula: dislexia, disgrafia, discalculia, dislalia, disortografia e TDAH (transtorno de déficit de atenção e hiperatividade).

– Fala-se muito em “adaptações curriculares” para alunos com deficiência, autismo ou dificuldade de aprendizagem. Observamos que, na maioria das escolas, esta expressão se refere à redução do conteúdo curricular para alguns alunos sob a alegação de que estes não têm condições de acessar o currículo comum como os demais. Mas esta não é a lógica da integração? A partir de uma perspectiva inclusiva, acreditamos que o direito de todos à educação inclui o direito de acessar o mesmo currículo. O que pode (e deve) diferir são as estratégias pedagógicas para acessa-lo. E não somente para os alunos com dificuldade de aprendizagem, deficiência intelectual ou autismo. Todos os alunos podem se beneficiar de estratégias pedagógicas que levem em consideração características individuais e diferentes modos de aprender. É importante lembrar que adaptação curricular não é sinônimo de flexibilização curricular. Flexibilizar o currículo implica repensar a lógica da fragmentação por disciplinas, buscando a religação das partes e com o todo, garantindo a coesão com a realidade dos alunos, de modo que todos se reconheçam nele e sejam protagonistas do próprio processo educacional. Neste artigo, ao propor uma “pedagogia calcada na diferença”, a especialista em educação Inclusiva Maria Teresa E. Mantoan resume: “A inclusão implica pedagogicamente na consideração da diferença dos alunos, em processos educacionais iguais para todos”.

Esperamos que os textos sugeridos possam servir como referência, subsidiando e fomentando o trabalho colaborativo na busca por recursos pedagógicos que de fato contribuam para o desenvolvimento das potencialidades do Gustavo e sua efetiva inclusão na escola e também fora dela.

Conte-nos sobre isso e continue participando da comunidade. Você é muito bem-vinda aqui. 🙂

Raquel Paganelli Antun – Equipe DIVERSA

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Por Rosana Martins Pio em 10/11/2016

Olá mãe, no Projeto Portas Abertas para Inclusão desenvolvi uma cartilha educativa intitulada “A minha A Sua A Nossa Inclusão”, contendo algumas informações importantes para a equipe pedagógica da escola e para os pais de alunos com DAs (dificuldades de aprendizagens). A cartilha ainda não foi publicada, mas para o ano que vem pretendo procurar parceiros para concluir a publicação.

O autista apresenta dificuldades que podem ser de cunho afetivo e de conduta, além de outros fatores percebidos pelo grau de autismo. É necessário uma avaliação médica e psicopedagógica específica. É muito importante que as intervenções individuais estejam coordenadas o mais estreitamente possível com os ambientes familiar e escolar.

Os alunos com DAs devem ser objetivo de adaptações curriculares individualizadas. E o que considero muito importante, tratar os alunos com DAs com agressividade potencializará sua dificuldade, tanto no ambiente familiar como escolar. A escola deve fornecer um ambiente de segurança emocional e favorecer a relação com os outros alunos. Propõe-se uma organização de métodos e recursos para o desenvolvimento de estratégias que favoreçam a inclusão dos alunos com DAs.

A formação de professores e seu desenvolvimento profissional são condições para que se produzam práticas integradoras. A escola como um todo deve favorecer a inclusão destes alunos, equipe administrativa, pedagógica, professores e pais, unidos em estabelecer uma cultura educacional que busque resolver as dificuldades encontradas e buscar soluções diante dos problemas apresentados.

Espero que tenha ajudado na sua busca efetiva por solucionar as dificuldades pedagógicas e inclusivas de seu filho.

Professora Rosana Pio, mestre em Educação pela UFPR.

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Por Igor Guadalupe Coelho em 13/12/2016

Olá mãe,

Estamos trabalhando na adaptação de conteúdos e recentemente lançamos um conjunto de atividades que podem ser acessadas em www.turmadolilo.com.br. Nesse momento estamos selecionando pais que tenham interesse em dar sugestões e feedbacks para a melhoria e crescimento do portal. Se tiver interesse, envie um e-mail para mim em igor@jungledigitalgames.com.br ou para nossa psicopedagoga Livia: livia.santana@jungledigitalgames.com.br. Seria ótimo ouvir suas sugestões de novas atividades.

Abs

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