É correto dar presentes para um aluno autista em troca da realização de atividades?

A professora auxiliar da escola regular passou a dar presentes e chocolates em troca do meu filho autista realizar as atividades na sala de aula. Fico na dúvida se isso o ajuda de verdade. Imagino que as outras crianças que não são autistas também gostariam de receber tais recompensas e também não quero que ela tenha que gastar. Não acho que seja responsabilidade dela e, pior, desconfio que ela queira, na verdade, mostrar trabalho, chamar a atenção para ela mais do que ajudar um aluno. Espero estar errada… Gostei dela tentar achar um meio para que ele aceite fazer as atividades. Ele é um menino tranquilo com autismo leve, um adolescente de 12 anos. Acho que ele está acostumado a não fazer muita coisa em sala de aula, seus cinco primeiros anos de escola não o ajudaram muito. Agora ele está no 6º ano e recentemente aprendeu a ler e escreve com dificuldades. Ele não gosta de ter que escrever, mas sempre teve muito potencial.

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Por Raquel Paganelli Antun em 12/07/2017

Se partimos do pressuposto de que a educação inclusiva diz respeito a todos e que diferenciar é válido – e muitas vezes necessário – desde que o objetivo seja garantir a equiparação de oportunidades, tal procedimento não parece correto. A não ser que os demais também fossem recompensados nessas circunstâncias. Além disso, será que vale à pena correr o risco de tal mecanismo representar somente “troca pela troca” e não necessariamente um estímulo à autonomia de seu filho?

Ao invés de medidas paliativas, seu filho precisa de estratégias pedagógicas que de fato favoreçam o seu desenvolvimento e promovam a sua autonomia dentro e fora da escola.

E não há como identificar ou desenvolver estratégias adequadas para ele sem, antes, conhecê-lo bem. Considerando que o processo de aprendizagem de cada pessoa é singular, não é possível prescrever estratégias terapêuticas ou pedagógicas com base no diagnóstico apenas. Não há “receitas prontas” nesse sentido. Trata-se de um esforço investigativo no qual todos devem ser envolvidos. Em uma das respostas a esta outra pergunta do fórum, a assessoria em educação inclusiva Marília Costa Dias aponta o trabalho cooperativo como requisito fundamental para a efetivação da educação inclusiva. Ou seja, é fundamental que a família e a escola unam esforços, estabelecendo uma relação de parceria cooperativa e de apoio mútuo com vistas à plena inclusão de seu filho. É importante ressaltar, ainda, a potencial relevância da participação do(a) profissional do atendimento educacional especializado (AEE) nesse processo.

Há várias maneiras de configurar espaços de diálogo entre a escola e a família. Independentemente do formato, é fundamental que viabilizem a participação ativa de todos os envolvidos. De modo que aprendizagem de cada estudante seja perseguida de forma ampla e colaborativa, em um ambiente caracterizado pela diferença, onde todos têm a ensinar e aprender.

Há vários artigos, estudos de caso e relatos de experiência que podem subsidiar discussões relevantes e fomentar o trabalho colaborativo na escola de seu filho. Os indicados neste link podem ser um bom ponto de partida.

Há, também, um relato de experiência que destaca a potência da adoção de atividades físicas coletivas em situações em que barreiras de comunicação e socialização comprometem o processo de inclusão na escola. Além deste, há vários outros que atestam que atividades físicas na perspectiva inclusiva podem potencializar a identificação e/ou desenvolvimento de outras habilidades, a interação com os colegas e a própria aprendizagem. Talvez essa possa ser uma estratégia interessante também no caso de seu filho.

Esperamos tê-la ajudado. Conte-nos sobre isso e continue participando da comunidade. Você é muito bem-vinda aqui. 🙂

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