Criança surda em período de alfabetização tem direito a um intérprete de Libras?

Gostaria de saber se minha filha, que está com seis anos, tem deficiência auditiva e está no período de alfabetização, tem direito a um intérprete de Língua Brasileira de Sinais (Libras) com ela dentro da sala de aula. Ela é surda oralizada, implantada e está fazendo um curso básico de Libras.

Acessibilidade comunicacional

2 respostas

Por Raquel Paganelli Antun em 10/10/2017

Olá Aleany!

Considerando o diagnóstico, sim, ela teria direito à educação bilíngue, já que, apesar do implante coclear, continua sendo surda (ouvindo somente mediante o uso do aparelho). No entanto, o pressuposto para a requisição e o uso de qualquer serviço ou recurso de apoio é a necessidade, considerando o direito à equiparação de oportunidades para a plena participação em todas as atividades da escola. E, sinceramente, não sei se sua filha precisa de um intérprete de Libras em sala de aula para que isso aconteça. Muitos surdos oralizados, com implante coclear, nem mesmo conhecem a Libras. Outros, no entanto, conhecem, e se comunicam com outras pessoas que são “sinalizadas” através dela. Se o idioma português/brasileiro possibilita que sua filha tenha autonomia na escola e fora dela, ela não precisa, necessariamente, aprender outra língua. Não é porque muitas pessoas surdas ou com deficiência auditiva usam a língua de sinais – que para elas é útil ou absolutamente necessária – que todas são obrigadas a usá-la. Isso seria contraditório em relação aos pressupostos da inclusão. Na perspectiva inclusiva, as necessidades educacionais e o desenvolvimento de cada aluno são únicos, singulares. Modelos que pressupõe homogeneidade no processo de aprendizagem geram, inevitavelmente, exclusão. Talvez, para a sua filha, recursos de acessibilidade tais como posicionamento estratégico em sala de aula, legendas, avisos luminosos, etc. sejam mais úteis.

No entanto, aprender uma segunda língua é interessante para qualquer um. E, na verdade, todos deveríamos aprender a Libras. Por isso, sugerimos que sua filha continue o curso que está fazendo.

Quanto a precisar de um intérprete em sala de aula, é necessário avaliar com a equipe pedagógica da escola se tal profissional é realmente necessário no sentido de garantir sua inclusão efetiva.

A inclusão dos surdos é uma conquista a ser celebrada. Se a educação inclusiva parte do princípio de que a escola comum é o lugar – de direito – de todos, não há brecha para exceção. Todos significa TODOS. E construir essa escola para todos é responsabilidade de todos nós. Por isso sugerimos que converse com a gestão da escola sobre a possibilidade de o ensino de Libras ser oferecido a todos os alunos, também os ouvintes. Tornar a escola bilíngue, irá torná-la mais inclusiva. 😉

Esperamos tê-la ajudado. Conte-nos mais sobre isso. E continue participando da comunidade. Você é muito bem-vinda aqui. 🙂

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Por Valdileia Ayres Brandão Pereira em 13/09/2017

Olá Aleany, sou ouvinte intérprete de Libras e já fui professora de surdos em sala especial, enfim, trabalho com surdos há 12 anos. O processo de inclusão dos surdos se perdeu na obrigatoriedade de incluir os surdos com ouvintes, dando a eles o único direito a intérprete de Libras. Sua filha tem direito a um intérprete sim, pois apesar de ser implantada ela pode fazer uso da Libras e perceberá como conseguirá evoluir no processo de aprendizagem. Mas tem que correr atrás pois na luta da comunidade surda nada foi fácil.

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