Como uma estagiária pode auxiliar a inclusão de um aluno com autismo?

Olá! Sou estudante de pedagogia e faço parte do projeto de estagiários na escola na rede pública de minha cidade, para auxiliar os alunos com deficiência. No momento estou acompanhando um aluno com autismo. A orientadora pedagógica nos passou a orientação de apenas auxiliarmos na higiene do aluno, em momentos da alimentação. Enfim, como estagiária, não posso interferir nos momentos das atividades. Porém, percebo que os professores não sabem lidar com essa situação. Penso que não posso ficar olhando tudo e não fazer nada! Então resolvi pegar esse assunto para objeto de estudo e assim ajudar mais esses alunos.

Minha grande dúvida é como lidar com essa criança em momentos de crises. Como fazê-lo entender que existe o momento certo de fazer as coisas, para sair da sala, para se alimentar? A criança que eu acompanho não suporta que nenhum amigo chegue perto dele. Como incluí-lo se ele agride a si e a todos quando chegam perto? Como acalmá-lo?

Me desculpem mas sou uma apaixonada pela educação e acredito que cada um, mesmo dentro de suas limitações, pode se desenvolver e fazer parte do mundo, atuando de forma consciente na sociedade. Acredito que encontrei aqui um suporte para me auxiliar nesta linda jornada!

Muito obrigada pela oportunidade!

Transtorno do espectro autista (TEA)

4 respostas

Por Maria de Lourdes de Moraes Pezzuol em 26/04/2018

Olá caríssima Iracelly, estamos abordando aqui situações de integração pedagógica. Sabemos que existem casos de alunos que precisam ser tratados de forma clinica, até mesmo com afastamentos desses alunos da escola, tenho alunos que estão por ordem médica e judicial impossibilitados de convívio social. Sou apaixonada pela educação sim, do contrário estaria realizando outra atividade profissional que me favorecesse essa paixão. Segundo Ernesto Haberkon (2014), o segredo para a realização das nossas atividades, sejam elas quais forem, é trabalhar com amor. Escolher um trabalho que você ame e sentir-se realizado, fortalece, vivifica, motiva e incentiva. Quando encaramos nosso trabalho meramente como um ganha-pão, dificilmente colhemos bons resultados. Tudo torna-se chato, pesado, maçante, literalmente trabalhoso. Consequentemente, nossa entrega no trabalho é um resultado previsível, sem sinal de superação, sem amor. E, automaticamente, nossa vida também segue sem surpresas. Sim, cumprir a obrigação garante o salário, mas é só isso que basta? Relato a você que após 27 anos de dedicação exclusiva ao magistério público de SP, me aposentei enquanto professora de educação física até 2017, e retornei esse ano como professora especialista em autismo. Desânimo, tristeza não podem fazer parte da metodologia para auxiliar a evolução pedagógica dos alunos, e sim amor, dedicação e profissionalismo. Abraços.

100% Acham isso útil Esta resposta te ajudou?
Por Maria de Lourdes de Moraes Pezzuol em 29/03/2018

Olá Solange, fico muito feliz em ler seu depoimento, saiba que seu comprometimento e a vontade de buscar auxílio são essenciais para que esse aluno possa ser integrado com dignidade no ambiente escolar e fora dele. Relato a você que esse ano estou atundo em sala de recurso e itinerância como professora especialista para alunos com TEA, para mim também é uma paixão constante.

Atuo com 3 alunos, cada um com um perfil. Vou relatar um exemplo: hoje, dia 27/03, estava com observação na sala de um deles, estava desenvolvendo uma proposta integrada com a professora de educação física, pois na segunda feira dia 02/04 é Dia Mundial do Autismo e a escola irá realizar uma intervenção para a conscientização desse dia, com a comunidade escolar e local. Estávamos desenvolvendo o Takkyu volley, modalidade de esporte que é uma proposta para a Paraolimpíada de 2020. Pois, na segunda-feira vamos receber alguns atletas de um clube aqui da minha região que praticam essa modalidade, ação que também fará parte da proposta de intervenção. Assim sendo, o aluno que acompanho faz parte da sala que estava treinando essa modalidade, esse aluno tem 13 anos, 7º ano, possui um perfil infantilizado, sabe ler e escrever, mas apresenta dificuldades comportamentais: sai correndo, é repetitivo em sua oralidade, apresenta teimosia demasiada.

Como eu tenho a formação dessa modalidade, estava explicando para a professora da sala regular e aos demais alunos. O aluno com autismo entendeu claramente as regras, e de repente jogando, integrado com a equipe, ele pegou e jogou o taco no chão (madeirinha que é utilizada para praticar esse espote) e ficou bravo. Minha atitude foi parar o jogo e conversar com ele sobre o que havia acontecido, ele pediu desculpas a todos e continuou a jogar normalmente. Não houve indignação por parte dos amigos de sala e sim respeito de saber que em algum momento o aluno com TEA apresentará uma situação dessas. Identifico que a melhor maneira para você agir é conversar com esse aluno (e incentivar também o diálogo com os outros sobre o TEA). Quando o comportamento estiver acentuado, tire o mesmo para uma caminhada, faça observar a natureza, conte-lhe uma história, enfim, mude o foco e evite que ele não se sinta constrangido e ridicularizado. Faça entender que seu comportamento não está adequado ao ambiente escolar. A tendência será diminuir esse comportamento, mas ele precisa se sentir acolhido e integrado. Espero poder ter auxiliado. Abraços.

50% Acham isso útil Esta resposta te ajudou?
Por IRACELLY MAGALHÃES RAULINO REZENDE em 18/04/2018

Prezada Professora MARIA DE LOURDES DE MORAES PEZZUOL e colega estagiária muito apaixonada,

Parabéns pelo comprometimento das duas colegas, também passei por situações assim e de maior complexidade também ainda como estagiária. O lamentável é saber que na maioria das vezes nosso voo é solo; ficamos sem direção e nosso trabalho passa a ser algo intuitivo. Sendo assim tenho uma questão: quando o autismo é muito severo, e extremamente perigoso ao aluno as lesões praticadas a si mesmo, esta criança deveria estar no ambiente escolar? Ou realmente deveria ser observada a questão da medicação e só após isso o seu retorno? Como agir quando percebemos que os pais mesmo tendo as receitas não medicam os filhos com regularidade? Houve um caso onde a mãe não medicava para que ele viesse à escola, porém o fazia para que em casa ele não tivesse crises. É muito desanimador e triste, pois não conseguimos evoluir com a criança. Dessa forma, se fazemos qualquer reclamação das agressões, algumas coordenadoras nos acusam de não ler a lei. Desejo que tudo corra bem à nossa amiga e que possamos ter sucesso nessa caminhada que é muito mais de amor que profissional apenas.

Esta resposta te ajudou?
Por Raquel Paganelli em 15/08/2018

Querida Solange!

Suas indagações são muito interessantes e denotam preocupação com o aluno e interesse em seu desenvolvimento.

Sugerimos que leia as respostas a estas duas outras perguntas do fórum:

– Como lidar com comportamento agressivo de estudante com síndrome de down?
– Em caso de quais deficiências os estudantes têm direito a um profissional de apoio?

A primeira, problematiza a agressividade na infância manifesta em sala de aula e a segunda é justamente sobre o papel do profissional de apoio.

Acreditamos que ambas possam subsidiar debates e reflexões relevantes acerca de sua pergunta em sua escola.

Esperamos tê-la ajudado. Conte-nos mais sobre isso e continue participando da comunidade. Você é muito bem-vinda aqui. 🙂

Esta resposta te ajudou?
Conhece alguém que pode responder? Compartilhe um link para a pergunta.
Comente ou compartilhe nas mídias sociais: