Como orientar escola para incluir estudante com autismo no ensino médio?

Tenho uma filha de 16 anos, com diagnostico de transtorno do espectro autista (TEA) aos 12 anos. Sempre estudou em escola particular na zona sul do Rio de Janeiro. Passou de ano por conta própria até o 6º ano do ensino fundamental. Depois foi sendo passada, cada vez com mais dificuldades.

Está repetindo o 1º ano do ensino médio, pois achei que ela estava com falta de conteúdo para ir adiante. Atualmente não está mais querendo ir à escola. Nos últimos anos ela foi perdendo o grupo de amigas e atualmente está sem amigos para fazer qualquer atividade fora da escola.

Recebeu atendimento psicopedagógico por dois anos, atendimento psicológico, teste neuropsicológico, outras opiniões médicas no Rio e em São Paulo. Tem QI normal médio. As tentativas de adaptações de conteúdo, formato e avaliações, na escola, poderiam ter ajudado a entender o jeito que ela aprende, mas não foram bem aplicadas pela escola. Minha filha tem uma dificuldade grande nas habilidades sociais, para entender o contexto das situações e poder responder às exigências. Ela se fecha e esconde de todos as possíveis habilidades. Precisaria de um apoio afetivo dentro da escola, principalmente em trabalhos feitos em grupo. Recebi interpretações diferentes do neuropsicológico: capacidade normal para aprender; e outra, incapacidade de fazer associações e de generalizar. Ela já tem um atendimento psicológico.

São duas perguntas:

1) Qual é o profissional da pedagogia que pode avaliar a capacidade dela e conseguir orientar a escola atual? Já tentei vários grupos de psicopedagogos e todos atuam muito na área psicológica e desconhecem a parte pedagógica.

2)Ela tem facilidade com línguas estrangeiras, e já sabe inglês. Me parece que, fora do Brasil, há mais preparo para entender esta situação das habilidades sociais. Pensei que seria bom se existisse um curso de inglês, de duração curta, ou qualquer curso ou atendimento/treinamento nos EUA ou Inglaterra com preparo para este tipo de dificuldade. Para ela se sentir incluída num grupo onde ela tem habilidade com o conteúdo, e poder treinar as habilidades sociais. Gostaria de saber se vocês podem me ajudar com algum profissional que pudesse me ajudar com isto.

Muito obrigada.

Transtorno do espectro autista (TEA)

1 resposta

Por Maria de Lourdes de Moraes Pezzuol em 10/08/2018

Olá, como professora especialista de TEA em sala de recurso do AEE na rede pública estadual de S.P, fico muito triste de ler seu depoimento. Infelizmente depoimento que nos mostra como as escolas estão despreparadas para receberem alunos com autismo, principalmente no ensino médio. É possível analisar nesse depoimento o trabalho que foi interrompido, que deveria ser oferecido pelo AEE de forma contínua. Segundo Mantoan, (2004), o AEE é um serviço de apoio para melhor atender as especificidades dos alunos com deficiência, complementando a educação escolar e devendo estar disponível em todos os níveis de ensino. A interrupção desse atendimento interferiu totalmente na autoestima dessa aluna, regredindo sua aprendizagem e seu desenvolvimento de comportamento, afetando seu social. As causas comportamentais, falha na aprendizagem de comportamentos adaptativos e não adaptativos que a aluna vem recebendo são geradas por circunstâncias ambientais estressantes que desencadeiam nessas ações de isolamentos e rejeição. Alunos com autismo precisam ser estimulados a trabalharem em grupos, precisam ser valorizados em seus potenciais. A medida que os alunos com TEA entram na fase da adolescência ou idade adulta, segundo pesquisas deveria haver uma melhora do isolamento social, mas devido a diminuição da habilidade social e a dificuldade de estabelecer amizades, se não forem estimuladas no meio social onde essa aluna vive a escola, esses comportamentos podem persistirem e acentuarem. Pois nessa fase geralmente esses alunos apresentam interpretações equivocadas a respeito de como são percebidos por outras pessoas. Por isso a importância do trabalho pedagógico integrado que deveria ser realizado na escola, evidenciando maior fortalecimento de ações do AEE com a sala comum, ações que poderia melhorar não só o desenvolvimento dessa aluna, mas também o de outras que terão como fortalecimento e aprendizagem a convivência com as diferenças. Identifico que o melhor profissional para trabalhar com essa aluna é o professor especialista de TEA do AEE. Aqui em São Paulo com a nova legislação: Resolução SE 68, de 12-12-2017, fortalecida com ações de direitos da Política nacional de proteção dos direitos da pessoa com transtorno do espectro autista, instituída pela Lei 12.764, de 27-12-2012, que dispõe: “atribuindo ao gestor escolar ou autoridade responsável o cumprimento da diretriz inadiável de assegurar matrícula ao aluno com transtorno do espectro autista (…)”. E dispôs aos alunos com TEA que são atendidos pelo AEE, em Sala de Recursos ou na modalidade itinerante: “deverão ser constituídas por alunos de uma única área de deficiência, ou de Transtorno do Espectro Autista ou de Altas Habilidades ou Superdotação”. Assim, analiso que você enquanto mãe, e outras famílias que estão passando por esses problemas precisam insistir e persistir e buscar soluções, até mesmo nos ministérios públicos para terem preservados seus direitos enquanto cidadãos.

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