Como um jovem de 22 anos com Síndrome Down pode voltar à escola?

Meu filho tem Síndrome de Down e estudou em uma escola municipal no Rio de Janeiro (RJ) por dois anos, mas não aprendeu a ler nem escrever. Ele saiu de lá em 2009, com 16 anos, porque a escola acabou com a inclusão. Hoje ele está com 22 anos. Gostaria de incluí-lo novamente, para ele voltar à escola. Como posso fazer isso?

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4 respostas

Por maria de lourdes de moraes pezzuol em 03/04/2017

Olá, sou professora de educação física da rede pública de São Paulo. Ministro aulas para o ensino fundamental regular e para os alunos do período noturno, onde leciono para as classes da educação de jovens e adultos (EJA). Tenho algumas experiências muito positivas com alunos de inclusão nesse ciclo. Tenho um aluno que tem 31 anos, nunca falta, adora participar das aulas em sala, como também nas aulas de educação física que são ministradas aos sábados, participa de todas as atividades. Analiso que a escola é muito importante para sua vida. Seria interessante você procurar na sua cidade, estado uma escola que contemple o EJA. Essa formação é amparada pela Resolução CNE/CEB nº 1. Em seu parágrafo terceiro informa: “os sistemas deverão prever exames supletivos que considerem as peculiaridades dos portadores de necessidades especiais”. Identifico que é um direito adquirido que seu filho retorne para escola, para ampliar e fortalecer sua interação social em busca de aprendizado e uma melhor qualidade de vida. Sucesso para sua busca.

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Por Raquel Paganelli Antun em 17/04/2017

Não só pode como deve! 🙂 Além de ser um direito de seu filho, a educação na idade adulta tem a função social de promover a emancipação, a inclusão na sociedade, atribuindo aos estudantes o papel de sujeitos ativos no processo de construção de conhecimentos, exercendo sua cidadania.

Conforme já indicado pela Maria de Lourdes em outra resposta, seu filho pode voltar à escola no contexto da EJA. Segundo a LDB, a educação de jovens e adultos (EJA) é uma modalidade de ensino que perpassa todos os níveis da Educação Básica e é destinada a jovens e adultos que não deram continuidade em seus estudos e para aqueles que não tiveram o acesso ao ensino fundamental e/ou médio na idade apropriada. O direito é assegurado a todos os jovens e adultos, inclusive os com deficiência. A Convenção da ONU, aprovada por meio de emenda constitucional, garante a qualquer pessoa com deficiência o direito à educação e assegura sistema educacional inclusivo em todos os níveis, bem como o aprendizado ao longo de toda a vida.

Assim, sugerimos que você procure a secretaria de educação de seu município ou estado a fim de identificar a unidade de EJA mais próxima de sua residência e matriculá-lo o mais rapidamente possível. 😉

E tem mais… A Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva garante também atendimento educacional especializado (AEE) para o seu filho. A função do AEE é a eliminação das barreiras para a plena participação dos estudantes com deficiência, transtorno do espectro autista e altas habilidades/superdotação através da identificação, elaboração e organização de recursos pedagógicos e de acessibilidade de acordo com suas necessidades específicas. É importante ressaltar que o referido atendimento não é substitutivo, devendo ocorrer no contra turno escolar, preferencialmente na própria unidade escolar na qual o estudante está matriculado em sala de recursos multifuncionais (SRM). Ou seja, considerando o caráter complementar/suplementar do AEE, o processo de alfabetização e letramento de seu filho deverá acontecer no contexto da EJA, não no AEE. Mas o AEE poderá indicar caminhos e possibilidades a fim de potencializar o fazer pedagógico em sala de aula, neste e em outros sentidos.

Há, no DIVERSA, diversos artigos, estudos de caso e relatos de experiência acerca da inclusão de pessoas com deficiência na idade adulta. Esperamos que possam ser úteis a você e à equipe pedagógica da futura unidade de EJA de seu filho, subsidiando discussões relevantes e fomentando o trabalho colaborativo na busca por estratégias que de fato garantam sua aprendizagem.

Conte-nos sobre isso e continue participando da comunidade. Você é muito bem-vinda aqui. 🙂

Raquel Paganelli Antun – Equipe DIVERSA

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Por Equipe DIVERSA em 30/03/2017

Olá! Seja bem-vindo à nossa comunidade! Nós da equipe do DIVERSA agradecemos pela confiança em dividir suas dúvidas. Acreditamos que encaminhamentos para desafios como o que você expôs possam ser construídos coletivamente. Para isso, dividiremos sua questão com outros membros de nossa comunidade e pesquisaremos em nosso acervo de conteúdos referências que possam te inspirar na busca por possibilidades inclusivas. Enquanto isso, te convidamos a explorar e comentar os estudos de caso, os relatos de experiência e os artigos de nossa biblioteca. Continue nos contando suas descobertas sobre o tema da educação para todos. Sinta-se à vontade para trocar experiências!

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Por ESTER FURQUIM DE ALMEIDA em 11/04/2017

Olá! Sou professora do atendimento educacional especializado (AEE) em Osasco (SP) e aqui no município também tivemos a escola especial se reorganizando para incluir alunos com deficiência após a mudança de paradigma para o da educação inclusiva.

Assim como aconteceu com seu filho, alunos dessas escolas que possuíam idade superior ao limite para sua inclusão no ensino fundamental foram orientados da seguinte maneira: ou ficaram no espaço que havia na escola realizando atividades diferenciadas (não mais enquadradas em uma estrutura escolar), ou foram encaminhados ao trabalho, ou ainda foram matriculados na educação de jovens e adultos (EJA). Na minha opinião, dependendo da idade, considero bem interessante, em alguns casos, o encaminhamento à atividades que os auxiliem em sua inclusão no mercado de trabalho e não mais no sistema escolar. Há iniciativas públicas e privadas que realizam esse trabalho de inclusão. Seria interessante verificar se no seu município há algum lugar assim, que ofereça esse tipo de apoio.

Temos aqui vários exemplos desse tipo de inclusão de pessoas e posso te afirmar que é muito bom poder conferir a felicidade e realização pessoal experimentadas por esses jovens.

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