Como fazer a abordagem pedagógica de alunos com dificuldade de aprendizagem?

Sou estudante de pedagogia e estou realizando estágio no 3º do ensino fundamental de uma escola pública. A sala tem três alunos com dificuldade de aprendizagem, dentre eles duas meninas e um menino. Uma das meninas tem muita dificuldade com as sílabas “pr”, “lh” e “qu”, com a troca de consoantes de “s” para “c”, e vice-versa, e dificuldade na leitura. A outra garota tem mais facilidade de leitura, mas tem dificuldade na escrita. Ela é muito agitada, não presta atenção na atividade, sente a necessidade de auxílio, pois alega que não consegue fazer a atividade sozinha. Quando peço para fazer sozinha, faz pirraça e fica incomodado os colegas.

O menino já um caso mais especial. Além da dificuldade de aprendizagem, a criança não se comunica. Ele não quer falar ou não consegue. A estratégia que encontrei para me comunicar com ele é balançando a cabeça com sinal de sim ou não e mostrando com o dedo. Quando eu pergunto se ele consegue ler, ele gesticula o “não”, mas consegue escrever através de letras cursivas.

Bem, estou relatando esses casos para pedir ajuda. Como poderei auxiliar essas crianças na alfabetização, pois conforme foi informado pelo professora da sala, os pais já foram informados sobre a dificuldade dos alunos e para conseguir auxílio de profissionais de psicologia. Pelas experiências que adquiri durante 10 anos no atendimento com pessoas com deficiência, pude perceber que a primeira menina do meu relato tem dislexia, a segunda menina tem TDAH e o menino tem autismo. Quando perguntei para professora, ele não soube informar e fiquei somente na suspeita. Como devo auxiliar a criança na alfabetização? Pela minha análise, devo abordar a aprendizado com as crianças de uma forma diferente de cada uma. Mas, como irei realizar esta abordagem para cada aluno?

Dificuldade de aprendizagem

2 respostas

Por Maria de Lourdes de Moraes Pezzuol em 11/04/2018

Olá Marcio, infelizmente são muitos os problemas que estão presentes na educação brasileira atualmente, o seu relato nos mostra o quanto ainda a educação nesse país precisa de qualidade e profissionalismo. Essas crianças já estão no ciclo fundamental I há 3 anos. O que foi realizado para identificar de fato e acolher esses alunos dentro da escola? Você relata que os pais já foram comunicados sobre as dificuldades para que os mesmos busquem apoio de outros profissionais especialistas como psicólogo. Mas e a professora? A escola? E os 3 alunos estão na mesma sala? A equipe pedagógica junto com a professora não realizou um diagnóstico para elaborar um relatório pedagógico desses alunos para construção de um plano de adequação curricular? A escola vai ficar até quando esperando os laudos clínicos dessas crianças? É deprimente enquanto professora saber que são histórias de situações reais de vidas.

Saiba que também vivencio algumas situações dessas em uma das escolas de ciclo I que estou atuando. Mesmo sabendo que o direito à educação é parte de um conjunto de direitos chamados de direitos sociais, que têm como inspiração o valor da igualdade entre as pessoas. Pesquisam nos mostram que no Brasil este direito apenas foi reconhecido na Constituição Federal de 1988, antes disso o Estado não tinha a obrigação formal de garantir a educação de qualidade a todos os brasileiros, o ensino público era tratado como uma assistência, um amparo dado àqueles que não podiam pagar. Durante a Constituinte de 1988 as responsabilidades do Estado foram repensadas e promover a educação fundamental passou a ser seu dever:

A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.(Constituição Federal de 1988, artigo 205).

Além da Constituição Federal, de 1988, existem ainda duas leis que regulamentam e complementam a do direito à Educação: o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), de 1990; e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), de 1996. Juntos, estes mecanismos deveriam abrir as portas da escola e garantir uma educação de qualidade pública fundamental a todos os brasileiros, já que nenhuma criança, jovem ou adulto pode deixar de estudar por falta de vaga. Sendo assim, será que essas crianças e seus familiares estão sendo assistidos e amparados por essas leis? Como poderíamos de fato auxiliar para que essas leis fossem cumpridas? Deixo aqui também a minha indignação. Não desista de buscar auxilio pedagógico para esses alunos, pelo que você informou, você tem experiencia na área de educação especial e se puder também, oriente os pais.

Abraços.

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Por Talyta Matos em 18/04/2018

Olá!

Tenho muitos materiais para te indicar. Primeiramente para te situar historicamente sobre a educação para pessoas autistas te indicaria assistir o filme disponível no YouTube chamado “O cérebro de Hugo”.

Tem duas apostilas excelentes para baixar também:

+ Manejo comportamental de crianças com Transtornos do Espectro do autismo em condição de inclusão escolar
+ Ajude-nos a aprender: um programa de treinamento em ABA (Análise do Comportamento Aplicada) em ritmo auto-estabelecido

São bem práticos!

Espero que tenha ajudado!

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