Como estimular a linguagem de uma criança que não fala?

Sou professora de apoio à comunicação, linguagem e tecnologia assistiva. Iniciei este ano, ainda não tenho experiência na área e para mim é tudo muito novo. Trabalho em uma escola municipal do interior e como vocês sabem tudo é muito lento. O que sei é muito teórico e gostaria de desenvolver na prática. Estou trabalhando com uma criança de seis anos portadora de Síndrome de Down e autismo. Ela ainda não fala, não sei se ela é verbal ou não. Está no 1º ano do ensino fundamental, ainda não é alfabetizada, encontra-se matriculada na escola regular. No momento sou a única responsável pela sua aprendizagem e minha dificuldade é fazer com que ela cumpra e obedeça regras. Ela joga objetos no chão, morde, belisca e empurra as outras crianças. Além disso, rasga as atividades. Como eu posso comunicar com ela de forma clara e objetiva? Gostaria de obter sugestões de atividades criativas e lúdicas. Como estimular a linguagem? Acredito na inclusão e que posso dar o melhor de mim, acredito também que a comunidade possa me ajudar nesse momento.

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1 resposta

Por maria de lourdes de moraes pezzuol em 02/05/2017

Olá, tenho algumas experiências vividas na situação de apoio e aprendizagem que você se encontra. Gostaria de compartilhar com você, espero poder te ajudar, pois fui voluntária de uma APAE por dois anos, enquanto realizei minha especialização em transtorno do espectro autista (TEA), convivi especificamente com alunos nessa faixa etária de aprendizagem e perfil. Relato que foi um aprendizado riquíssimo, possibilitou integrar a teoria à prática e levar essa experiência para sala de aula regular, recomendo a todos que queiram se voluntariar.

Identifico que você é professora de apoio de sala comum? A princípio informo que é uma situação que requer um estudo de caso minucioso do aluno, do ambiente escolar onde ele frequenta, da proposta adaptada curricular que pretende desenvolver, dos seus pares, da equipe de especialistas da saúde e principalmente dos pais desse aluno. Pois, como se trata de duas deficiências, apresentando autismo, esse requer um estudo mais especifico de suas características próprias. Em relação à comunicação, você não precisa buscar um modelo, uma forma pronta, você precisa criar um vínculo, até mesmo pelo olhar ou gestos, que muitas vezes dizem mais que uma linguagem oral, respeitando o ritmo do aluno. Nesse sentido, como já relatei anteriormente, não é o aluno que precisa se adaptar a escola, mas a escola que precisa se adaptar a ele. É importante que você trabalhe atividades que possam estimular o desenvolvimento cognitivo e psicomotor, baseada em movimentos, relacionando as partes do corpo. Por exemplo: explorar as mãos e os pés. Fazer com que o aluno “suje”, passe a mão ou os pés na tinta (várias cores) utilize os mesmos como carimbo em uma folha, depois explore figuras de animais, natureza sobre os que os mesmos possam significar, contada por meio de histórias ou iniciais de letras das figuras que esses desenhos possam criar.

Em relação ao uso das tecnologias como apoio pedagógico, explore ao máximo, pois essas devem auxiliar muito o desenvolvimento dos alunos de atendimento educacional especializado, pois sabemos que a imagem tem uma função importante como ferramenta simbólica de comunicação e os softwares hoje ajudam muito. Trabalho com alunos de TEA os jogos digitais: pesca palavras e fábrica de letras. Mesmo eles não sendo alfabetizados, escrevo no papel em letra de forma caixa alta o nome da figura ou das letras que são solicitadas, eles tentam relacioná-las utilizando o comando do jogo. O office Power-Point também pode ser explorado como recurso tecnológico de construção, utilizo esse recurso também para alunos com deficiência intelectual (DI). É uma forma de estimular e motivar a aprendizagem.

Indico outros recursos:

Bitstrips ToonDoo: site para criar quadrinhos, em inglês
Projeto SCALA – Sistema de Comunicação Alternativa para Letramento de Pessoas com Autismo
Plataforma Currículo +

Boa sorte.

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