Como estimular a aprendizagem de um jovem com Síndrome de Down?

Sou mãe de um jovem de 18 anos que tem Síndrome de Down. Ele estuda em uma escola regular desde pequeno, conhece as letras, os números, sabe as sílabas. Só que na hora de formar frases e ler, ele não consegue. Já tentei de tudo, inclusive psicopedagoga particular. Ele está matriculado no 9º ano do ensino fundamental. Gostaria de saber se há alguma forma para que eu possa ajudar a estimular sua aprendizagem em casa e orientar os professores na escola.
 

 

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Por Raquel Paganelli Antun em 07/08/2017

Olá Isabela!

Não há “receitas prontas”, mas, sim, dicas importantes para que a aprendizagem se torne possível e muito mais significativa para qualquer estudante. A primeira e mais importante: o ponto de partida é sempre o próprio aluno. O processo de aprendizagem de cada estudante é único, singular. Por isso, é preciso, antes de qualquer coisa, buscar conhecê-lo bem. E não há como o professor fazer isso sozinho. A segunda principal dica tem a ver exatamente com isso: é preciso desenvolver uma dinâmica de trabalho colaborativo, que envolva diretamente outros profissionais da escola, professores criativos ou que já tenham experiência com inclusão de estudantes com deficiência, profissionais de saúde ou de outras áreas que conheçam especificidades acerca do desenvolvimento de seu filho, a família, os amigos, enfim, “todo mundo”. Vale ressaltar a potencial relevância do profissional do atendimento educacional especializado (AEE) nesse processo, principalmente na identificação das barreiras que atrapalham ou impedem a aprendizagem.

Sugerimos que você recorra à gestão da escola para buscar estabelecer espaços de diálogo que, independentemente do formato, viabilizem a participação ativa de todos os envolvidos. A discussão coletiva das seguintes perguntas pode ser um bom ponto de partida:

• O que o seu filho mais gosta de fazer? Quais são seu principais interesses?
• Que gostos há em comum com outros estudantes da classe?
• O que ele já sabe fazer sozinho?
• E o que consegue fazer com auxílio?

Há vários artigos, estudos de caso e relatos de experiência que podem subsidiar tais discussões. Destacamos os indicados neste link: Síndrome de Down na escola: dicas e práticas de inclusão.

Desenvolver a prática pedagógica a partir do próprio aluno significa buscar identificar seus interesses e necessidades a fim de flexibilizar o currículo e diversificar as estratégias pedagógicas. Em muitas de suas obras, o psicólogo bielo-russo Lev Semenovitch Vygotsky, um dos pioneiros nos estudos sobre a relação entre a aprendizagem e o desenvolvimento de pessoas com deficiência intelectual e uma das principais referências nesse sentido em âmbito internacional, afirmava que é fundamental que o ensino seja organizado e trabalhado dessa forma, tendo significado e sendo de fato relevante em suas vidas. O psicólogo afirmava também que o foco deveria estar sempre nas possibilidades e não em supostos déficits ou limitações. A “aposta” e altas expectativas no processo de ensino-aprendizagem podem impulsionar o desenvolvimento. Sugerimos que leia este artigo que fala mais sobre isto.

Esperamos tê-la ajudado. Conte-nos sobre isso e continue participando da comunidade. Você, seu filho e toda a equipe da escola são muito bem vindos aqui. 🙂

Raquel Paganelli Antun – Equipe Diversa

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