Como a escola pode ajudar as famílias dos estudantes com deficiência?

Olá, enquanto professora de classe comum, especialista em educação especial, procuro realizar um trabalho de mediação com os pais de alguns alunos, principalmente daqueles que possuem maiores comprometimentos e dificuldades cognitivas, sociais e outras. Identifico que os pais (famílias) precisam de auxílio e orientações que vão além da escola. São vínculos importantes com a comunidade que podem melhorar o êxito de escolaridade de alguns alunos.

Abordo uma situação que estou vivenciando a família de uma aluna. Ela tem 17 anos, está no 7º ano e tem diagnóstico de deficiência múltipla (epilepsia, mental e Síndrome de Steven Johnson). Por meio da mediação que realizo, hoje ela está com tratamento odontológico e oftalmológico (pois a síndrome atingiu seu órgão ocular, provocando baixa visão). Mas não consigo entender porque o poder público municipal nega e burocratiza os encaminhamentos médicos, tanto para exames como para consultas que são solicitadas pelo sistema público de saúde. A médica oftalmologista do SUS encaminhou a estudante para acompanhamento psicológico e a rede municipal (Unidade Básica – Posto de Saúde) não aceita o pedido. Eles dizem que a família precisa ligar para o 196, agendar um médico clínico geral (do Posto) para que depois ela seja encaminhada para atendimento psicológico, sendo que a Lei 13.146/2015  é clara, como determina em sua vigência:

Art. 9º A pessoa com deficiência tem direito a receber atendimento prioritário, sobretudo com a finalidade de:

IV – oferta de rede de serviços articulados, com atuação intersetorial, nos diferentes níveis de complexidade, para atender às necessidades específicas da pessoa com deficiência;

Art. 18. É assegurada atenção integral à saúde da pessoa com deficiência em todos os níveis de complexidade, por intermédio do SUS, garantido acesso universal e igualitário.

§ 2o É assegurado atendimento segundo normas éticas e técnicas, que regulamentarão a atuação dos profissionais de saúde e contemplarão aspectos relacionados aos direitos e às especificidades da pessoa com deficiência, incluindo temas como sua dignidade e autonomia.

V – atendimento psicológico, inclusive para seus familiares e atendentes pessoais;

O que fazer diante dessa situação? A família se sente acuada e desamparada.

Famílias

1 resposta

Por Instituto Paradigma em 25/07/2018

A família deve sempre buscar orientação especializada com profissionais que atuam na área da deficiência, no entanto, não podem transferir toda a responsabilidade da educação dos seus filhos a esses profissionais. O trabalho dos profissionais só terá sucesso se tiver o apoio e participação da família em casa.

A família deve participar do processo de inclusão de seus filhos sendo parceira ativa, mas essa participação não deve invadir os limites conscientes da responsabilidade escolar. A participação ativa não significa “superproteção”, e sim, possibilitar a interação social e o convívio escolar negociando e respeitando regras que indique claramente os papéis e responsabilidades de todos os atores: equipe escolar, aluno e família.

A escola deve propor ações, tais como, grupos de trocas de experiências entre familiares, em que possa existir acolhimento e ajuda mútua. Além dos serviços oferecidos pela escola e comunidade, os familiares precisam acreditar e investir no desenvolvimento e potencial dos seus filhos. O processo de inclusão depende de um trabalho conjunto entre família, comunidade e escola.

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