Como ensinar matemática para uma criança com Síndrome Down?

Olá. Tenho uma filha de 12 anos com Down, Laura. Ela cursa o 7º ano do ensino fundamental. Está alfabetizada, consegue realizar operações matemáticas de adição e subtração, porém tem muita dificuldade com a tabuada e, consequentemente, nas operações de divisão e multiplicação. Estou à procura de alternativas pedagógicas que possam ajudar-nos nesse processo. Tenho pesquisado em vários sites, mas está difícil.
Laura sempre se utiliza de apoio de uma tabela de multiplicação, mas queremos avançar e temos certeza de que ela consegue. Podem me ajudar? Acredito que quanto maior a divulgação, melhores as possibilidades de encontrar caminhos que auxiliem minha filha e tantas outras crianças que estejam na mesma situação.

Só a título de curiosidade, minha filha é atendida por uma fonoaudióloga (particular) que também trabalha na APAE em Bauru. Pedi que ela perguntasse aos professores se eles podiam nos ajudar com algum material sobre o assunto, porém eles disseram que, infelizmente, não têm nenhum caso de crianças, adolescentes ou adultos que tivessem chegado à multiplicação, tabuadas, enfim.

O que me fez refletir também que não chegaram lá porque os métodos tradicionais precisam de um novo olhar, o da inclusão, e acreditar que as pessoas com Síndrome de Down são capazes de aprender.

Atenciosamente,

Dilza Inoue

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4 respostas

Por Marcia Aparecida Granja em 24/10/2016

Boa noite! Acredito que minhas sugestões não serão novidades e que talvez estas estratégias já tenham sido aplicadas, porém, estas já auxiliaram muitos alunos que atendi ao longo de 20 anos dedicados à Educação Especial.

Primeiramente, o aluno deverá construir a tabuada com brinquedos ou moedas de 1 real. É necessário oferecer a ele 2 caixas (no caso de multiplicar por 2), solicitar que separe as moedas e registre os resultados. Outra sugestão seria contar e marcar com giz coloridos peças de cerâmica no chão ou na parede e contar os resultados, registrando a multiplicação obtida.

Podemos utilizar ainda a ferramenta word (tabela) e fazer multiplicações (com colunas e linhas), pode-se imprimir e pintar para melhor visualização. O material dourado também é excelente e pode ser utilizado em tampas, copos, caixas ou xícaras para montar a tabuada. Fazer um canteiro e plantar mudas de flores ou verduras também é excelente. Exemplo: plantar 4 fileiras de flores com 5 mudas em cada fileira, contar e registrar a multiplicação. Caixas de ovos para tabuada também permitem entender a multiplicação (pode substituir os ovos por bolinhas de isopor).

Depois de todas essas atividades feitas pelo aluno, o professor poderá montar algumas multiplicações com material dourado, distribuindo, por exemplo, 3 unidades em 8 caixas com igual quantidade e solicitar ao aluno que escreva ou fale qual é a multiplicação. Quando o aluno conseguir responder a essa pergunta, ele, com certeza, entendeu o processo de multiplicação e poderá representá-lo através de desenho.

Tenho 2 jogos em power point para trabalhar com aluno, com ajuda do professor, os links estão abaixo. Bom estudo!

Clique na tabuada

Multiplicação com frutas

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Por Victor Martinez em 07/10/2016

Boa noite Dilza, ou mãe da Laura, como costumam ser chamados os pais depois de terem seus filhos..rs

Me chamo Victor, sou psicopedagogo. Trabalho na Apae sp e tenho um consultório em São Bernardo Onde resido.

Você está correta, não existem limites para a aprendizagem de nenhuma criança, o estímulo muitas vezes supera as condições orgânicas de nascimento. Neste caso, creio que seja necessário explorar a condição concreta na composição do cálculo. De forma resumida, multiplicações podem ser vistas como adições que ocorrem de forma grupal.

Aconselho que use o material dourado comece a demonstrar a ela somas de pequenos grupos, depois desta compreensão obtida por ela, nomeie os grupos de 1, 2 e assim por diante. Ajude a compreender que dois grupos com aquelas quantidades de quadradinhos dentro significam um valor total.

Espero ter contribuído.

Um forte abraço,

Victor

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Por Leo Akio Yokoyama em 13/10/2016

Olá, sou doutor em Educação Matemática inclusiva e minha tese relaciona matemática e síndrome de Down. É preciso verificar primeiramente se sua filha compreende o conceito de número. Veja, saber fazer uma conta de adição ou subtração não garante a compreensão do conceito de número e nem a capacidade para resolução de problemas.

Para adição e subtração veja se sua filha consegue realizar todos os tipos de problemas dessa natureza (campo conceitual aditivo): http://magiadamatematica.com/uss/pedagogia/24-teoria-3-campo-aditivo.pdf 

Para adição e subtração veja se sua filha consegue realizar todos os tipos de problemas dessa natureza (campo conceitual aditivo): http://magiadamatematica.com/uss/pedagogia/24-teoria-3-campo-aditivo.pdf

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Por Virginia Lima em 27/10/2016

Olá Dilza. Em primeiro lugar, quero te dizer que a Laura é linda! Também tenho um filho com Síndrome de Down, mas ele tem apenas 2 meses e meio e, portanto, vai demorar um pouquinho para ele chegar aonde a Laura está. Mesmo assim, venho lendo sobre o assunto e sobre as dificuldades que a sociedade parece ainda não ter solução ou parece não se preocupar em arranjá-las… é uma pena! Como mãe, isto já vem me preocupando desde que descobri que o Leonardo nasceu com SD… Sem contar que moro em Porto Alegre RS e, se aí, em São Paulo não há recursos, imagino que aqui haja muito menos. Parabenizo você pela força e pela vontade incondicional de ver sua filha progredir cada vez mais! Espero ter a mesma garra! Não desista, juntas chegaremos lá! De todo o coração, Virgínia.

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