Como alfabetizar estudante que não fala com coerência?

Minha filha tem seis anos e começou a falar com 3 anos e 7 meses. Ela consegue falar todas as palavras sem dificuldades, mas não formula frases, fala somente quando ela quer, não fala com coerência. O psiquiatra descartou autismo, disse que ela não tem contato social. Tudo que eu tento explicar ela sempre responde não. Na escola, as professoras me cobram um laudo, mas nenhum médico quis dar. Comecei a estudar para ver a melhor forma de ajuda-la a se desenvolver. Ela está cursando o 1º ano. Como posso ajudá-la? Como a escola pode me ajudar para que juntos possamos alfabetizá-la?

Acessibilidade comunicacional

2 respostas

Por Joyce Esteves Sodré em 05/04/2017

Bom dia, você já levou sua filha em um fonoaudiólogo?

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Por Raquel Paganelli Antun em 04/12/2017

O primeiro passo é fazer exatamente o que você propõe em sua pergunta: unir esforços com a escola para alcançar os objetivos de aprendizagem pretendidos. Estabelecer uma parceria efetiva com a escola, baseada em uma relação de cooperação e apoio mútuo, é fundamental para o processo de inclusão educacional de qualquer estudante. Este estudo de caso sobre o Colégio Estadual Coronel Pilar apresenta uma situação concreta que confirma a importância da participação ativa da família na vida escolar de seus filhos. Há várias maneiras de configurar espaços de diálogo entre a escola e a família. Independentemente do formato, é fundamental que viabilizem a participação ativa de todos.

Quanto ao fato de a escola cobrar um laudo, é importante considerar que sua ausência não inviabiliza a inclusão efetiva de sua filha e, consequentemente, o alcance dos objetivos de aprendizagem. Não há “receitas prontas” de estratégias pedagógicas efetivas para estudantes com determinado diagnóstico. Isso porque o processo de aprendizagem de cada estudante é singular. Ou seja, o que a escola precisa fazer é buscar conhecê-la bem, a fim de planejar atividades diversificadas que levem em conta suas características.

O esforço no sentido de conhecer, reconhecer e valorizar as singularidades dos alunos deve envolver a participação de todos, principalmente da família. É válido ressaltar a potencial relevância da participação do profissional do atendimento educacional especializado (AEE) nesse processo. Segundo a Política de educação especial na perspectiva da educação inclusiva, a função do AEE é justamente esta: identificar, elaborar e organizar recursos pedagógicos e de acessibilidade para a eliminação das barreiras para a plena participação dos alunos, considerando suas necessidades específicas. O AEE é direito garantido aos alunos com deficiência, transtorno do espectro autista (TEA) e altas habilidades/superdotação. No entanto, em muitas redes de ensino, a ausência de laudo não inviabiliza o acesso ao serviço. Sugerimos que converse com a equipe pedagógica sobre isso.

Este relato de experiência retrata a importância da parceria entre o professor de sala e o profissional de AEE no processo de alfabetização de um estudante no primeiro ano do ensino fundamental: Ressignificar saberes para valorizar eficiências no processo de alfabetização. A propósito, assim como é importante estabelecer espaços de diálogo com a família, é fundamental que a gestão escolar incentive e possibilite a “troca de figurinhas” entre os professores. Os horários de trabalho pedagógico coletivo têm essa finalidade específica e podem servir como verdadeiras incubadoras de ideias. A situação descrita por você demanda criatividade. E o planejamento colaborativo é uma ferramenta importantíssima na busca por atividades criativas que possibilitem a plena participação e a aprendizagem de sua filha. Entre outros aspectos relevantes, esse relato de experiência ressalta a importância da criatividade no processo de alfabetização em grupos heterogêneos.

Esperamos que essas referências (veja os links embutidos no texto) possam subsidiar discussões relevantes na escola de sua filha e fomentar o trabalho colaborativo na busca pelo pleno desenvolvimento de suas potencialidades. Conte-nos mais sobre isso e continue participando da comunidade. Você é muito bem-vinda aqui. 🙂

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